
Serviços caem após três altas, mas analistas ainda veem quadro positivo na economia
Após três altas consecutivas, o volume do setor de serviços no Brasil teve queda de 0,9% em fevereiro, em relação ao mês anterior, indicam dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado frustrou as projeções de analistas do mercado financeiro. Segundo pesquisa da agência Reuters, a expectativa era de avanço de 0,2%.
Apesar da surpresa negativa, analistas ainda enxergam um quadro positivo para a atividade econômica como um todo no início de 2024.
A publicação do resultado de serviços veio um dia após o IBGE informar que o volume de vendas do varejo subiu 1% no país em fevereiro, acima das estimativas negativas do mercado.
Com o segundo avanço consecutivo, o comércio alcançou o nível recorde de uma série histórica iniciada em 2000.
“A atividade econômica tem mostrado resultados mistos. Teve surpresa positiva no varejo e negativa nos serviços. Mas, de maneira geral, a gente avalia que as surpresas têm sido mais positivas”, afirmou o economista Gabriel Couto, do Santander Brasil.
Na visão dele, o impulso da renda das famílias parece estar mais voltado agora para a compra de bens no varejo do que para o consumo de serviços.
Recentemente, o Santander elevou sua projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre de 0,6% para 0,7%. Conforme Couto, o acompanhamento de indicadores econômicos sugere que a variação pode ficar na faixa de 0,8%.
SÓ OS SERVIÇOS PRESTADOS ÀS FAMÍLIAS AVANÇAM EM FEVEREIRO
De acordo com o IBGE, a baixa de serviços em fevereiro foi puxada por atividades mais voltadas a empresas -e não tanto a famílias. Das 5 pesquisadas dentro do setor, 4 recuaram na comparação com janeiro.
A exceção veio justamente dos serviços prestados às famílias, que envolvem empresas como bares, restaurantes e hotéis. A atividade avançou 0,4%, após uma retração de 2,9% no primeiro mês de 2024, indicou o instituto.
“A queda [dos serviços] foi disseminada, e a única alta do mês foi a registrada em serviços prestados às famílias, que pareceu mais uma reversão parcial da forte queda de janeiro”, afirmou João Savignon, diretor de pesquisa macroeconômica da gestora Kínitro Capital.
A casa espera avanço de 0,8% para o PIB trimestral. “Nossa visão para os serviços permanece sendo de desaceleração lenta, compatível com uma acomodação do ritmo de crescimento do setor, dada a base de comparação elevada”, avaliou Savignon.
O volume de serviços está 11,6% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 1,9% abaixo do ponto mais alto da série histórica do IBGE (dezembro de 2022).
Luiz Almeida, analista da pesquisa do instituto, considera que o setor passa por uma compensação após meses em alta.
“É uma descontinuação dos ganhos anteriores”, disse o pesquisador, destacando o comportamento da atividade de serviços profissionais, administrativos e complementares.
Esse grupo caiu 1,9% em fevereiro, após uma alta de 1% em janeiro sob influência do pagamento de precatórios, o que gerou reflexos nas atividades jurídicas, segundo o IBGE.
“Como não houve essa receita em fevereiro, acontece esse retorno ao patamar anterior”, declarou Almeida.
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