
Ninguém mais fala em unicórnio. Para Alex Szapiro, do SoftBank, isso é bom
É difícil encontrar alguma coisa que tire o otimismo de Alex Szapiro com o futuro das empresas de tecnologia da América Latina.
Executivo paulistano conhecido por abrir caminho no Brasil para as chegadas da Apple, em 2007, e da Amazon, em 2012, o hoje homem forte do grupo japonês SoftBank no país só perdeu a tradicional positividade quando notou que os empreendedores da região estavam mais preocupados com “quanto” seu negócios valiam do que com “o que” as operações entregavam.
“Faz mais de um ano e meio que não ouço essa conversa de unicórnio e tenho achado isso muito bom”, diz Szapiro em conversa com o InvestNews no escritório do SoftBank em São Paulo.

A ansiedade de tornar a própria startup em uma empresa avaliada em mais de US$ 1 bilhão chegou a tirar o foco dos empreendedores latino-americanos, mas Szapiro vê que a correção de rota foi feita rapidamente. “Hoje, vejo as empresas falando em geração de caixa e em ter lucro operacional”, diz. O executivo acrescenta ainda que a conversa hoje com os empresários saiu da ideia de crescimento a qualquer custo para a racionalidade do lucro. “Eles entenderam que esse é o caminho.”
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A arrumação de casa rápida, na avaliação de Szapiro, tem muito a ver com a característica da região. Acostumados aos solavancos da economia, como inflação alta e juros idem, os empreendedores assimilaram rapidamente a mudança de cenário e se anteciparam. Nos últimos 18 a 24 meses, fizeram cortes, reduziram despesas, redefiniram prioridades. Agora, as empresas estão mais leves e prontas para retomar o crescimento.
Das 75 companhias que compõem a carteira regional do grupo japonês na América Latina, 94% têm caixa para mais de 12 meses – no fim do ano passado, esse índice estava em 88%. “A execução foi bem feita”, prossegue Szapiro.
Um exemplo de arrumação está na Rappi, plataforma de entrega investida pelo SoftBank. Ao InfoMoney, o CEO da empresa, Felipe Criniti, disse que a empresa terá neste ano Ebitda [lucro operacional] positivo. “Temos gerado caixa e utilizado isso para crescer. “
Com o caixa em dia, as startups começam a tatear novamente o mercado para uma eventual abertura de capital na Bolsa. Pelo menos 10 investidas do SoftBank estariam em condições de uma oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês), mas Szapiro não revela os nomes.
Também abriu-se a possibilidade para mais operações de fusão e aquisição (M&A, na sigla em inglês). No início da operação do Softbank, a expectativa era de que o desinvestimento (saída do grupo japonês das operações) ocorreria mais pela via das ofertas em bolsa do que com fusões. E, no caso dos M&As, as empresas norte-americanas seriam as maiores interessadas.
Isso mudou. Szapiro espera uma divisão mais equilibrada entre operações de IPO e de M&As e vê empresas asiáticas bastante interessadas nas startups latino-americanas. A expectativa é de que pelo menos metade dos próximos exits seja por meio de venda direta para outra companhia.
Além da Rappi, fazem parte dos investimentos do SoftBank na região nomes que certamente você já ouviu falar: Loggi, Unico, Petlove, Wellhub (antigo Gympass), Descomplica, entre outros. Startups do Brasil representam cerca de 70% da carteira do grupo japonês na América Latina.

O que faz o SoftBank?
Para quem ainda não conhece, o SoftBank é a referência global em investimentos de risco (“venture capital”) para empresas de tecnologia que estão em fase de crescimento – Alibaba e Nvidia foram algumas das companhias que receberam aportes da casa para pavimentar seu crescimento. E veja no que deu. A instituição não investe em startups no início da vida. Só naquelas que já provaram seu negócio e precisam de um empurrão a mais para ganhar escala.
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