Veja no que investir com a queda da Selic

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Com o corte de 0,25 ponto percentual Selic desta quarta-feira (8), os investimentos de renda fixa pós-fixados atrelados ao CDI irão, naturalmente, render menos. Por outro lado, os ativos indexados à inflação e com juros prefixados ficam mais atrativos, apontam especialistas.

“Continuamos com o juro atrativo. A renda fixa se mantém protagonista”, diz Eduardo Villela, gerente executivo de Captação e Investimentos do Banco do Brasil.

Apesar de a tendência no curto prazo ser de queda de juros, as reduções devem ser menores do que o anteriormente esperado, o que leva o mercado a precificar juros futuros mais altos. Segundo a cotação desses contratos futuros, a Selic deve permanecer no patamar de 10,25% no próximo ano. Já a pesquisa Focus aponta um juro de 9% em 2025.

Assim, os juros prefixados ofertados pelos títulos de renda fixa subiram nas últimas semanas. O título do Tesouro Direto atrelado à inflação (NTN-B) com vencimento em 2029 oferece um retorno de IPCA + 6,13% para quem o contrata hoje. Há um mês, este juro prefixado era de 5,77%. Já o tesouro prefixado para 2027 paga 10,83% atualmente, ante 10,39% há 30 dias.

Rentabilidade após 6 meses

Investimento – Valor bruto, em R$ – Bruta, em % – Líquida real, em % – Valor líquido, em R$

CDB com liquidez diária, a 104% do CDI – 1.051,53 – 5,15 – 3,33 – 1.041,22
CDB/RDB/LC prefixado, a 11% ao ano – 1.053,57 – 5,36 – 3,49 – 1.042,85
CDB/RDB/LC, a 108% do CDI – 1.053,46 – 5,35 – 3,48 – 1.042,77
CDB/RDB/LC, a IPCA + 6,20% ao ano – 1.038,44 – 3,84 – 2,29 – 1.030,75
LCI/LCA/debênture Incentivada, a 94% CDI – 1.046,69 – 4,67 – 3,87 – 1.046,69
Poupança – 1.036,34 – 3,63 – 2,85 – 1.036,34
Tesouro Selic 2027 (Selic + 0,0926%) – 1.050,51 – 5,05 – 3,05 – 1.038,36
Premissas: Selic (ao ano) CDI (ao ano) Inflação (ao ano) TR (ao ano) Poupança (ao ano) 6 meses 10,27% 10,17% 1,54% 1,23% 7,40% 1 ano 10,25% 10,15% 3,60% 1,23% 7,40% 2 anos 10,65% 10,55% 3,44% 1,23% 7,40% 5 anos 11,31% 11,21% 3,50% 1,23% 7,40%
Fonte: C6 Bank

“A regra do bolso é: se há NTN-B acima de 6%, você compra, pois há uma chance de mais de 80% de dela bater o CDI no longo prazo. Tudo ligado a IPCA com prazo de um a três anos é muito bem-vindo, Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora.

O Banco do Brasil também aumentou a exposição recomendada à essa classe de ativos, reduzindo em igual percentual os pós-fixados. “A abertura da curva se refletiu nas taxas desses títulos que estão pagando uma melhor remuneração. Então, é bom garantir uma participação maior deles na sua carteira nesse momento, para capturar ganhos futuros”, diz Villela.

Rentabilidade após 1 ano

Investimento – Valor bruto, em R$ – Bruta, em % – Líquida real, em % – Valor líquido, em R$

CDB com liquidez diária, a 104% do CDI – 1.105,56 – 10,56 – 4,93 – 1.087,09
CDB/RDB/LC prefixado, a 11,25% ao ano – 1.112,5 – 11,25 – 5,48 – 1.092,81
CDB/RDB/LC, a 111% do CDI – 1.112,67 – 11,27 – 5,5 – 1.092,95
CDB/RDB/LC, a IPCA + 6,20% ao ano – 1.100,23 – 10,02 – 4,51 – 1.082,69
LCI/LCA/debênture Incentivada, a 95% CDI – 1.096,43 – 9,64 – 5,83 – 1.096,43
Poupança – 1.074 – 7,4 – 3,67 – 1.074
Tesouro Selic 2027 (Selic + 0,0926%) – 1.103,43 – 10,34 – 4,56 – 1.083,22
Premissas: Selic (ao ano) CDI (ao ano) Inflação (ao ano) TR (ao ano) Poupança (ao ano) 6 meses 10,27% 10,17% 1,54% 1,23% 7,40% 1 ano 10,25% 10,15% 3,60% 1,23% 7,40% 2 anos 10,65% 10,55% 3,44% 1,23% 7,40% 5 anos 11,31% 11,21% 3,50% 1,23% 7,40%
Fonte: C6 Bank

Segundo economistas, no último mês, o cenário macroeconômico teve mudanças drásticas. A mais impactante delas foi a inesperada aceleração da inflação americana, que levou investidores a esperarem juros americanos a níveis altos por mais tempo. “Isso muda todo o panorama para qualquer [país] emergente”, diz Gardimam.

Juros mais altos na maior economia do mundo atraem boa parte do capital disponível para investimentos. O título do Tesouro americano de dez anos, o ativo mais líquido do mercado, remunera 4,47% ao ano, maior patamar desde antes da crise financeira de 2008. Além da inflação dos Estados Unidos alta, a 3,5%, o aumento do risco fiscal no país, que deve mais do que produz, também contribui para as taxas elevadas.

“Talvez exista um excesso de pessimismo com a trajetória fiscal do país e também com o próprio cenário americano e os juros altos lá deixam os investidores não muito propensos a tomar risco aqui”, diz Felipe Moura, analista da Finacap Investimentos.

Já no Brasil, um dos principais temas que impactaram o mercado foi a alteração da meta fiscal para os próximos dois anos, o que pressionou as curvas de juros.


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